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Coluna da Andréa - A chegada a este mundo!

A gestação é um momento em que a mãe e o bebê geralmente estão muitos conectados. Já parou um minuto pra pensar como é o mundo que ele vem?

Ele confortável, no escurinho, nadando, sentindo pouca variedade de luz, contido num espaço limitado, sentindo o toque materno, a conversa de seus pais com ele…

São momentos de fortes emoções; sentir uma vida crescendo dentro do próprio corpo feminino. Tudo um só corpo, uma só dimensão. Mas é chegada a hora do nascimento.

Esse bebê se prepara pra sair, sente o corpo materno em contrações uterinas que o comprime rumo ao desconhecido. Um túnel à sua frente. Um espaço, com tudo novo: luzes, sons, temperatura, cheiros.

É aqui que o ser que vai receber esse bebê necessita estar muito ciente e claro de todas essas mudanças para o binômio: mãe e bebê. Neste momento tão profundo, único e precioso é que deve pairar no ar o espírito de paz, harmonia, tranquilidade, e de muito amor e respeito.

Vem chegando a hora. A hora do bebê conhecer um mundo muito adverso. E precisamos minimizar essas adversidades ao receber esse bebê. A mãe precisa ser a primeira a tocar seu filho, abraçar, sentir seu cheiro e acolher alguém tão especial e esperado.

A mãe está embriagada pela dor, pelas emoções vividas, pelo SER que acaba de chegar e precisa de seu tempo pra olhar nos olhos dele e estabelecer o imprinting. Isso é mágico! O reconhecimento do é MEU. A troca de olhar profunda e que fica na memória para o resto da vida.

Esse bebê não a toca mais por dentro, e sim seu corpo sobre o da mãe, sua pele trocando calor e secreções do nascimento e sua boquinha ávida procurando sua única fonte de sobrevivência…

O seio materno, fonte única de alimento, de segurança e de amor.

Diante disso, eu peço aos profissionais que recebem os bebês ávidos: deixem as mães serem as primeiras a acolher seus filhos!

Em seu colo, aquecê-lo com seu calor, envolvê-lo com seus braços, colocar em seu seio e curtir e eternizar esse momento. Vai valer muito a pena para esses dois seres. Algo magnífico e sagrado que deve ser respeitado.

Andréa Gouveia é pediatra neonatologista, proprietária e idealizadora da Opima, mãe da Luana e da Bruna e apaixonada pelo universo lindo que é o do nascimento.